O que significa ser um cão de RAÇA PURA? 16/03/2015

O que significa ser um cão de RAÇA PURA?

Temos conhecimento que a FCI (Federação Internacional de Cinofilia) reconhece cerca de 350 raças, estas que passaram pelo crivo do tempo e das regras para se tornarem cães de raça pura. Mas em todo mundo, existem processos de regulamentação de outras raças, o número em breve será maior. Onde o American Pit Bull Terrier entra nessa história? Já é uma raça reconhecida pela FCI?

Nosso amado APBT teve como primeiro registro datado em 1898, nos EUA, e seu reconhecimento foi através de um clube particular chamado UKC, que não é filiado a FCI, mas o criador e fundador C. Z. Bennett’s do UKC depois de algumas tentativas de reconhecer sua raça junto ao AKC (que é filiada a FCI) foi negado o seu pedido, então, ele resolveu montar seu próprio cartório, e assim, registrou o cão Bennett´s Ring em 1898. Então, temos o início de uma nova raça pura, e assim o American Pit Bull Terrier surge para o mundo como uma RAÇA PURA.

Muitos anos depois, 1936, um movimento de criadores leva a proposta para a AKC novamente, sendo que em um formato mais restrito e com uma mudança muito significativa para a história da raça, a alteração do nome, ficando como Staffordshire, chegando de fato ao atual nome de American Staffordshire Terrier só em meados de 1972. A AKC “reconhece” a raça American Pit Bull Terrier em partes, pois o Standard da raça não contemplava os RED NOSE e cães brancos, sendo assim, apenas uma parte da grande e rica genética que esses cães possuem.

Diante desse cenário, é óbvio que em poucos anos seriam duas raças distintas, como se é visto hoje. A UKC reconhece o APBT e AST como raças distintas, a ADBA que é outro cartório da raça muito importante desde os anos 70, também reconhece como duas raças e a AKC que continua sem aceitar o registro integral do APBT. Na minha visão, onde muitos achavam que a raça APBT cairia no esquecimento, viu-se a raça ganhar força mundialmente e com eventos totalmente estruturados voltados exclusivamente para ela. A genética do APBT cada dia se consolida mais, e surgem espalhados pelo mundo um universo confiável e saudável em torno do APBT.

Quando se fala em Raça Pura, os APBT´s enfrentam uma de suas maiores batalhas no mundo, permanecer confiável e saudável. Uma raça popular enfrenta grandes desafios na sua preservação, e com o APBT parece-me que foi mais acentuado, pois demorou muito na mídia o estigma de cão da moda, hoje menos, mais em alguns países essa febre chamada APBT não passa.

Vou relatar alguns dos desafios que enfrentamos como amantes, criadores e apaixonados pela RAÇA PURA, pois partimos do pressuposto que todos devem respeitar os animais, mas se tratando de RAÇA PURA devemos mostrar nosso respeito e amor PRESERVANDO! Então, vamos lá, seguem alguns dos nossos desafios:

1º desafio: entender que Genética e procedência racial, não tem NADA a ver com papel ou documento de cartórios. Um cão pode dar entrada em um registro inicial (CPR), onde muitos cartórios visando a sua manutenção, permitem esse aborto da cinofilia ética e profissional. Em todos esses anos de cinofilia, não conheço nenhum árbitro, criador ou cinófilo de respeito que respeite ou veja com bons olhos essa emissão de registro inicial para raças centenárias, como é o caso do APBT. Temos mais de 100 anos de história, e você quer reescrevê-la depois de todos esses anos? Isso é insanidade ou total falta de comprometimento e conhecimento em torno da raça pura. E o pior, é que tem criador que formaram seus planteis baseados em cães assim, e usaram cães procedentes com animais de registro inicial, e hoje, depois de algumas gerações acham e se iludem pensando que tem animais de RAÇA PURA dentro de casa, e NUNCA TERÃO! A genética é percentual, e no seu DNA sempre constará a inserção de algo desconhecido. Diante desse desafio, todo criador deve estudar e buscar conhecer as genéticas centenárias que envolvem a nossa raça, para que ela seja preservada SEMPRE! Outro ponto relevante que precisa ser destacado, é que nas outras raças, isso parece ser REGRA ABSOLUTA, mas no APBT ainda encontramos muitos criadores amadores pensando que desenvolvem criações profissionais.

2º desafio: não podemos desassociar o indivíduo (cão) da raça (procedência), uma coisa representa a outra. Um animal pode ter um excelente desempenho em alguma função, ou ser animal detentor de uma belíssima conformação, mas se por trás dele não existe história e procedência, esse animal será um excelente PET, mas entrar na criação de RAÇA PURA, é simplesmente acreditar no inexistente. Por melhor que seja o indivíduo, se ele não representa uma família genética, ele representa o que? Um cão sem família é um SRD, um cão sem raça definida, ele como indivíduo merece respeito como cão, mas NUNCA como raça pura. Esse parece ser um desafio difícil de ser encarado, pois em torno do mundo dos esporte legais e ilegais o que é fácil ouvir de alguns participantes é: “o importante é o resultado”, claro, eu até entendo, pois eles não estão defendendo a RAÇA PURA, estão apenas envolvidos com o esporte praticado, e para eles se um poodle desenvolver a função perfeitamente, e se consagrar  através dessa função, ele será o melhor, mas NUNCA esse poodle será um American Pit Bull Terrier, detentor de uma família genética consagrada e respeitada mundialmente.

Não tenho dúvida e nenhum receio em afirmar que a nossa raça é detentora de muitas características medianas e algumas supremas e imbatíveis no mundo canino, e isso lhe faz ser um cão diferenciado e extremamente competitivo onde quer que ele se apresente. Isso deveria fazer dessa raça algo unificador entre pessoas e criadores, mas o distanciamento é cada vez mais visível entre grupos que de fato não defende a RAÇA e sim projetos pessoais. Como falar em seleção se não temos respeito com o padrão racial? Como discutir sobre linhagens se não respeitamos a história da raça? Como se unir criadores e ações em torno da raça se não respeitamos o eixo central da raça pura, a procedência? Não tenho uma visão fatalista, pelo contrário, sem que muitos apaixonados espalhados pelo mundo entendem e respeitam a história INTEGRAL do APBT, sem sua genética e seleção, e isso sempre deixará essa raça viva, e separando o joio do trigo, quem verdadeiramente ama dos que apenas usam a sua imagem vencedora.

Marcello Viktor Cavalcanti Morais
16/03/2015
Criador do CGD KENNEL