Seleção Genética para melhoria fenotípica dos American Pit Bull Terrier 29/11/2014

Seleção Genética para melhoria fenotípica
dos American Pit Bull Terrier

Pretendemos com esse texto, fomentar um nível mais técnico e responsável na propagação da raça em nosso país, mesmo sabendo que muitos não querem participar dessa contribuição diretamente de melhoria fenotípica através da seleção genética, eles preferem só ter um amigo em casa, mesmo assim, eles participam indiretamente dessa evolução. Sabemos que nem toda evolução (tempo), significa evolução (qualidade), por isso precisamos dar o devido valor a esse tema.

Fazendo um breve diagnóstico sobre a real situação genética da raça em nosso país podemos observar as seguintes possibilidades:

  • Através da história da raça (1898 até 1970), sabemos que todas as famílias genéticas do APBT são provenientes dos trabalhos de Colby, Carver, Tudor e OFRN (animais provenientes da Europa). Nesse texto não se discute animais sem procedência, pois isso é inquestionável para raça. Não existe evolução genética e fenotípica sem procedência histórica.
  • Por muitos anos, os criadores brasileiros se preocuparam com a importação de genética, confesso que não saberia afirmar que essas importações tiveram também motivação de evolução fenotípica. É certo que veio muita coisa boa para nosso país, para diversas situações, desde reprodução, combate (ato ilícito e criminoso), esporte canino e exposições.
  • Procedência não se comprova com pedaço de papel, pois existem cartórios reguladores a mais de 100 anos para nossa raça, com um stud book amplo e rico geneticamente, e se um cão importado não possui em documento comprobatório, é simplesmente descartado trabalhar geneticamente com possibilidades vazias e especulativas. Infelizmente muitos animais ditos como possuidores de genética ímpar, apareceram em nosso país, mas não se sabe sua origem comprovada.
  • Todas essas importações, o que se observa é a multiplicidade de fenótipos, e isso nos remete a um grande desafio de selecionar dentro da nossa raça, e é por esse quarto ponto que desejo escrever esse texto.

Seleção dentro da raça APBT é mais que um desafio, é um estilo de vida (renuncia, investimento, dedicação e perseverança). Compreendo aqueles que não entram nessa árdua caminhada, pois demanda tempo, não se seleciona na primeira geração, e não se finaliza essa seleção em vida, é algo passado de pai para filhos (se tivermos a sorte de transferir essa paixão para eles). Mas demanda também muito conhecimento, pois a palavra SELEÇÃO tem profundas ramificações, e com elas vamos trabalhar agora.

Seleção Genética

Quando cruzamos dois animais, não estamos apenas unindo dois indivíduos, mas estamos gerando novos indivíduos que herdaram características e aptidões de seus antepassados mais próximos, e com essa união, poderão desenvolver e transmitir indivíduos indesejáveis ou evoluídos.

As teorias levantadas por diversas obras científicas apontam técnicas para se trabalhar geneticamente. Algumas abordam apenas duas técnicas, outros três, mas queria escrever baseado no qual acredito, que é as quatro possibilidades de trabalhar geneticamente com os cães.

Todas essas técnicas são baseadas em estudos de SETE GERAÇÕES. Quando se influência de fato geneticamente nos resultados dos cães.

Outcrossing: Animais sem nenhum parentesco, e ambos os indivíduos não tem famílias definidas. Resumindo, dois animais (pai e mãe da ninhada) sem desenvolvimento genético, isso não significa que ele foi gerado sem critérios. Muitos criadores escolhem selecionar seus animais por fenótipos, e não se importam com o que ele carrega em sua genética. Isso é um perigo para uma criação, pois o individuo (cão) aberto geneticamente, vai gerar variações de gens, e não existirá uma predição do resultado, e isso é um risco.

Consigo ver muito isso em cruzamentos gerados por campeões em exposições de beleza, o melhor do ano com o melhor do outro ano. Esses dois animais podem ser campeões, mas se ambos herdarem um problema congênito, fatalmente eles passaram para sua prole. Eles podem ser excelentes em outros cruzamentos, melhores planejados, mas entre si, eles são um erro.

Particularmente, não entendo esse tipo de cruzamento como sendo o ideal para um criador sério. Você não pode desenvolver um trabalho com critério baseado na sorte, ou simplesmente apelar para o que o seu olho ver, pois a genética é uma caixinha de surpresa, e mesmo diante de muito trabalho, estudo e investimento, somos surpreendidos.

Outbreending: Animais de famílias distintas, mas ambos os indivíduos de família fechada. Esse tipo de cruzamento é muito realizado em nossa raça, procurando o refrescamento genético, se pega duas famílias reconhecidas e cruzam entre si, gerando indivíduos saudáveis geneticamente.

Todo trabalho genético de um criador, precisa de inserção de sangue novo, para trazer mais vitalidade, e fugir da consanguinidade excessiva, que traz prejuízo genético para gerações inteiras, muitas delas, irrevogáveis.

Particularmente, para se fazer uso dessa técnica, precisa-se conhecer a fundo as duas famílias que queremos uni-las, pois só precisa de um cruzamento para destruir anos de trabalhos. Devemos observar o fator de dominância e recessividade, e se as famílias se assemelham, pois caso contrário, nossas escolhas poderão gerar o fim de um ciclo de seleção, e dar início a outro. Já vi muitas criações no mundo do APBT perder sua identidade por ter se associado à outra família.

Linebreending: Animais trabalhados dentro da sua própria família, com parentesco distante, como primos, tios, avós sem inserção de outras famílias. Sendo bem trabalhada essa técnica, podemos desenvolver a mesma família por longas gerações, sem precisar de inserção de novos sangues.

Encontramos muitos cruzamentos intitulados erroneamente com essa técnica. Dentro das 7 gerações, sem aberturas, precisamos encontrar a mesma família sendo trabalhada. Se existe Outcrossing ou Outbreending dentro de um trabalho genético, não pode ser considerado Linebreending, pois essa técnica é usada apenas dentro da mesma família.

Os grandes criadores da raça utilizam-se dessa técnica. Desenvolvem seus trabalhos com Linebreending, e sempre se recorrem à última técnica que vamos apresentar nesse texto, o Inbreending.

Inbreending: Animais trabalhados dentro da mesma família, com parentesco próximo. Irmãos, Meios-irmãos, pais e filhos, tio e sobrinha. São excelentes para fixar características, e aprimorar a seleção genética, porem, não devemos esquecer, que existem características desejáveis e indesejáveis, e a consanguinidade trás surpresas desagradáveis.

Um criador para fazer uso dessa técnica, apesar de simples, requer muito conhecimento na seleção dos resultados para planejamento futuro. Quanto mais fechado, menos possibilidades de trabalho, e assim, requer mais conhecimento e investimento para se manter a saúde futura da genética do seu trabalho.

Seleção Fenotípica

Essa sem dúvida, a mais difícil forma de produzir e selecionar cães. Cruzar um animal por si só é fácil, cruzar por genealogia já demanda certo conhecimento, mas cruzar animais baseando sua seleção através do fenótipo é algo que demanda profundo conhecimento sobre estrutura e dinâmica, associado ao conhecimento do padrão da raça fundadora. Em nosso caso, o UKC.

Não importa qual seja a técnica de cruzamento adotado pelo criador, precisa-se ter um amplo conhecimento racial para se gerar futuros exemplares da raça. Nos dias de hoje, cruzar cães passou a ser uma responsabilidade social, visto o aumento crescente de abandonos e maus tratos com animais espalhados pelo mundo. Sabemos que o mercado de raças puras é crescente, e mesmo que muitos fundamentalistas pensem contrários a isso, é um mercado que não para de crescer. Devido a isso, precisamos buscar o máximo de excelência na produção de nossas famílias caninas, nunca perdendo o foco, que é: Manutenção, Preservação e Propagação.

Fator principal para se ter sucesso na raça APBT na seleção por fenótipo, é o temperamento. Precisam ser extremamente confiáveis com seres humanos, principalmente crianças. Apresentar-se com leveza e agilidade, mas não deve perder a visualização de um animal rústico e forte. Deve ter vontade de viver, esbanjar alegria, está disposto a trabalhar sempre. Não podemos abrir mão desse temperamento de um verdadeiro atleta. Mas não podemos permitir que por trás disso, aceitemos de qualquer forma as rinhas, os combates entre cães, essa maneira criminosa e marginalizada de se criar e selecionar cães.

Nosso cão foi gerado pela história entre as diversas formas de combate, assim como outras raças tem suas histórias, mas não necessariamente precisamos permanecer no tempo da caverna. Nossa raça precisa ser inserida de vez na sociedade, como um cão versátil e útil a família. Selecionar cães por temperamento, não tem NADA a ver com seleção clandestina de combatentes.

Por fim, selecionar cães é uma arte prazerosa e milenar, nossa raça é cheia de desafios e anuências, estude a história, conheça o padrão, invista em conhecimento e procure criar um American Pit Bull Terrier, para que juntos possamos levar essa raça ao lugar dela, ao Summit!

 

Texto: Seleção Genética para melhoria fenotípica dos American Pit Bull Terrier
Autor: Marcello Viktor Cavalcanti Morais – CGD KENNEL
Data: 29 de Novembro de 2013

evolução genética