TIPO DE RAÇA – APBT 18/03/2020

 

Quando me apaixonei pelo Pit Bull, era um jovem de 14 anos, estava na convivência de vários “dog mens”, a maioria vendia cães, outros copiavam alguém bem sucedido, mas tinha no meio deles um “dog men” diferenciado, que seus questionamentos, suas afirmações e dicas me faziam crescer como amante de cães. Conviver com aquele homem todos os dias, por 3 anos, antes de ir morar nos Estados Unidos, me fez crescer como “dog men”, de todas as coisas que ele me ensinou, uma em especial quero compartilhar nesse texto.

Quando eu via um “Rottweiler Metzgerhund ”, para mim era todos iguais, conseguia ver pouca diferença entre eles, apenas uns mais fortes outros mais finos. Nesse dia, aprendi uma grande lição: TIPO DE RAÇA. Não é apenas uma cor preta e canela, ou ausência de branco que faz ele ser um Rottweiler, nem tão pouco se é forte ou fino, e sim, se ele é do TIPO DE RAÇA que o faz herdar um nome de raça pura.

O Patrick Ormos fala em seu artigo escreve sobre alguns critérios que diferenciam os animais e suas raças, ele aponta o TYPE que é específico de cada raça pura:

“O tipo é da essência de uma raça.  Sem ele, não temos nada para julgar, mostrar ou reproduzir. Sem ele, voltamos a um conjunto de critérios completamente funcionais: movimento, capacidade de caça, capacidade de manada, ou olfato, ou quem sabe?  Separaríamos completamente as questões de forma e função.”

Quando colocamos o olho em uma cão, automaticamente começamos a buscar o tipo, a função, a influência genética e de seleção que tem por trás dele. São atributos que não podem andar separado, a Morfologia e a Função andam lado a lado, em um perfeito equilíbrio. Mas devemos considerar alguns pontos que o velho homem me ensinou. Se sou um Rottweiler, como posso ter medo de uma ovelha? Como posso ter receio em defender meu território? Como não ser fiel ao meu líder? Devemos pensar nisso, não adianta ser morfologicamente fiel a raça e ter perdido sua função primordial, sua essência de trabalho. Lembro que os Rottweiler desse velho homem se destacavam dos demais, ao ponto de conseguir torna-lo Campeão em seu país de origem, mesmo vindo de um país sem expressão mundial na raça como é o Brasil. A diferença de seus cães estava no temperamento sólido, forte e equilibrado. Pude acompanhar seus critérios de seleção, desde o nascimento até a fase adulta, o como ele era rígido e devoto de seus critérios. Sua frase que dizia: “já tenho uma genética forte, quando fui comprar escolhi uma base sólida, ninguém faz campeão do acaso, cabe a mim aperfeiçoar ou estragar o que recebi”.

Cada raça tem sua peculiaridade, seja na cabeça, na expressão, no pelo, nos membros, na cor, morfologia ou função, mas todos são identificados por algo, por um TIPO, por isso tornaram-se raça pura, sem esse tipo perde-se a sua essência. Quando estamos familiarizados com os “Grupos da FCI”, essa compreensão se torna mais claro, entendemos como cada grupo é formado, pelas suas semelhanças em função ou a falta delas.

Quando começamos a falar de American Pit Bull Terrier, o universo parece que se torna mais amplo, pelo simples fato de ver novatos e veteranos cometendo o mesmo erro, achando que o APBT tem dois ou três TIPOS, e isso é um grande erro, só existe um TIPO de APBT. Estava em uma exposição onde começou um criador veterano a falar do “Tipo de cabeça” que o juiz em questão gostava, e em seu relato é como se o APBT tivesse vários tipos de cabeça, e isso é um grande erro, a cabeça do Pit Bull é em forma de cunha vista de cima ou de lado, redonda quando vista de frente, proporcional em relação ao resto do corpo, 2/3 da largura dos ombros, os masseteres são 25% mais largos que o pescoço a base do crânio, o comprimento do focinho ao stop deve ser igual ao comprimento do stop a parte de trás da cabeça, uma cana nasal bem desenvolvida, o arco zigomático deve ser mais largo do que o crânio na base das orelhas para o apoio estrutural dos caninos superiores, a cabeça deve ser profunda desde o topo da cabeça até o fundo da mandíbula, focinho com caixa reta. Qualquer coisa diferente disso, fará o APBT perder o seu tipo de cabeça e se assemelhar a outras raças, vou citar um exemplo: a simples proporção do focinho, sendo ignorada, você pode levar um APBT a ser confundido com um Bulldog Inglês ou um Fox Terrier, sem querer me aprofundar em outros aspectos.

A preservação de qualquer raça passa pela Educação de seus criadores, o quanto eles estão envolvidos em aprender de forma devota sobre história, padrão racial, tipo, função, movimentação, morfologia, estilo, seleção e tantas outras peculiaridades que envolve os nossos gladiadores. Não temos como construir uma raça forte sem educar os nossos criadores, pois a raça é feita por criadores e não o contrário. Vou reforçar essa afirmação contando uma história. Conheci um homem muito exigente na aquisição dos seus cães, ele passou anos estudando as linhas de sangue, os criadores e seus resultados, e quando estava confiante, comprou um casal para iniciar a sua própria seleção. Ele desenvolveu 6 anos de cruzamentos apertados, fechados no seu casal, e em três gerações ele tinha simplesmente produzido cães que em nada se assemelhavam ao seu casal original, ele se distanciou daquilo que um dia foi seu referencial, qualquer justificativa não conseguiria por mais neófito que fosse o observador em ver o quão diferente eram entre si aqueles animais. A criação é tão magnífico e grandiosa, que um simples descuido ou acomodação, pode levar uma seleção ao fracasso, a perda da Tipicidade. Quem faz a Raça Pura são os CRIADORES.

Temos hoje um aquecimento nos eventos dos APBTs em todo o mundo, fruto de uma raça dinâmica e versátil, forte e ágil, destemida e companheira, atlética e elegante. O universo desses cães é muito amplo, e ainda hoje foi pouquíssimo explorado, estamos no início de um grande movimento em torno da raça. Com tudo isso, surgi muitos interesses, muitas pessoas, e se não educarmos esses novos amantes, poderemos ter sérios problemas em um futuro próximo. Os estudos precisam de profissionalismo e alinhamento com a prática, não se analisa animal por foto, a imagem é apenas um indício de quem é o cão, mas a movimentação, o equilíbrio, o alcance, entre outros aspectos devem ser observados, pois tudo isso faz diferença na execução da função.

Vou deixar algumas pistas para você que está iniciando ou está perdido sem conseguir se desenvolver dentro da raça:

  1. Ser sócio de um clube especializado da raça. ADBA hoje é uma entidade internacional que regulamenta e fomenta o APBT o mais próximo da sua função original, forma por criadores renomados e com resultados expressivos na formação da raça no mundo.
  2. O Brasil está bem servido de clubes filiados a ADBA, hoje todas as regiões tem clubes ADBA, e aos poucos os eventos serão estaduais, e assim você poderá estar em contato com criadores e suas seleções de forma prática, pois a diferença de uma foto para um presencial é absurda. Busque se filiar a ABRAPIT, você terá conselheiros e referências de segurança.
  3. Mídias Sociais, Revistas, Livros e todo conteúdo que você puder reunir é importantíssimo para sua formação e educação dentro da raça, cuidado com o modismo e as más influência, a sua falta de experiência e amadurecimento dentro da raça pode te levar a errar, e geralmente sem oportunidade de volta. A última coisa que deves fazer é comprar um cão para iniciar uma criação.
  4. A raça vem em um profundo desenvolvimento, a evolução não para, porém a preservação está em não perder a Tipicidade. Não faça do seu quintal o resumo da raça, e nem tão pouco o único modelo a ser seguido. Ame o APBT mais do que o seu quintal. O Tipo é único, mas o estilos são variados, existem seleções no mundo inteiro.
  5. Nunca despreze o conselho de um ancião, os criadores mais antigos e famosos tem uma vivência que não pode ser desprezada, não será uma leitura ou conversa que fará você ter a experiência e os “calos” que os antigos tem. Os antigos também amam a raça e por isso querem ensinar e passar adiante suas vivências, respeite se ele não lhe escolheu para isso.
  6. Promovam discussões e debates saudáveis, em lugares produtivos. Não escolha o caminho da briga e das divisões, escolha uma conferência áudio visual, escolha uma sala de aula com uma pessoa experiente, promova e incentive a educação no meio da criação.
  7. Invista em sua formação, viaje, conheça, converse. Visite canis que recebem visitas, vá a eventos especializados. Se você souber escolher por onde andas, vai encurtar muitos os seus anos de aprendizado dentro da raça, todos nós vamos morrer aprendendo, mas chegar na maturidade é algo que para muitos demora uma vida toda, e para outros apenas algumas décadas. O importante é que o conhecimento não deve ser retido, escolha seus discípulos.
  8. Seu cão perfeito só pode existir na sua cabeça baseado em dois fatores: conceitual e emocional. O conceitual é o padrão racial (ADBA), estude, busque dominar cada termo e conceito dentro do padrão racial, e faça desse estudo prioritário e primordial, inclusive acima da sua emoção. Coloque esses animais “lindos” que você acha em confronto com o padrão racial, se encontrar limites e distanciamento, escolha o padrão racial, remodele aos poucos seu cão perfeito. Quanto maior for seu conhecimento, o padrão racial fará mais sentido.
  9. Por fim, compare os nossos APBT´s com as outras raças caninas, você vai perceber as suas responsabilidades em ter um gladiador e combatente sob suas posses. Você perceberá que tem a melhor raça do mundo.

Desejo a todos os melhores dias de suas vidas na companhia desses cães. Tenho certeza que nem todos os seres humanos são dignos de conviverem com esses cães, mas o poucos privilegiados sabem como é magnífico desfrutar da melhor raça do mundo.

Marcello Viktor – marcelloviktor@gmail.com
CGD KENNEL – www.cgdkennel.com.br